

Brasil o País do Esquecimento, do Jeitinho e dos Especialistas de Ocasião
A tragédia mal esfriou; o relógio do esquecimento já corre. O padrão é conhecido: indignação pública; promessas corporativas; notas técnicas; comissões internas; em poucas semanas, o silêncio; depois, a rotina; por fim, a reincidência. O Brasil repete o ciclo com precisão quase científica; não por falta de diagnóstico; mas por excesso de tolerância ao improviso e à amnésia coletiva.
O país tornou-se um colecionador de tragédias; não por fatalidade; mas por escolha estrutural. Escolhe esquecer; escolhe remendar; escolhe relativizar responsabilidades. A cultura do jeitinho transforma exceção em regra; flexibiliza o inegociável; normaliza o risco; posterga soluções definitivas; e, assim, sepulta qualquer política séria de não reincidência.
O país coleciona exemplos; Boate Kiss; Museu Nacional; Edifício Wilton Paes de Almeida; Ninho do Urubu; tragédias distintas, destino idêntico; comoção imediata; luto televisionado; relatórios arquivados; lições ignoradas. Passado o impacto, a segurança volta a ser tratada como custo; não como sistema crítico. O que deveria gerar ruptura; gera apenas notas de rodapé na memória nacional.
Nesse vazio prosperam os mercadores do caos; oportunistas do pós-tragédia; especialistas de ocasião; soluções rápidas para problemas complexos. Floresce o mercado do medo; treinamentos apressados; certificados de fachada; equipamentos comprados para cumprir tabela; projetos que atendem à assinatura, não ao cenário real. Vende-se tranquilidade jurídica; não capacidade de resposta. O incêndio, quando vem, cobra o que o papel não entrega.
A negligência empresarial se repete; projetos de prevenção subdimensionados; manutenção inexistente; brigadas formadas sem carga horária adequada; sistemas hidráulicos sem vazão crítica; abandono do estudo de balanço térmico; confiança cega na norma como fim; quando a norma é apenas o piso. Soma-se a isso a fiscalização frágil; a conivência silenciosa; e o discurso confortável de que “sempre foi assim”.
O Brasil do esquecimento naturaliza a exceção; o Brasil do jeitinho administra o risco com improviso; o Brasil dos mercadores do caos lucra com a reincidência. Nesse ambiente, prevenir deixa de ser missão; passa a ser despesa evitável. Só se investe quando o sangue ainda está fresco; quando as câmeras ainda estão ligadas.
Mudar exige ruptura; admitir erro técnico; rever compras; investir em engenharia aplicada; treinamento contínuo; testes; simulações; cultura operacional. Exige gastar antes da tragédia; e não economizar apostando no esquecimento. Exige romper com o ciclo perverso que transforma vidas em estatística; e tragédias em rotina.
Brasil; o país do esquecimento; do jeitinho; e dos mercadores do caos. Enquanto essa tríade persistir; a próxima tragédia já está em gestação.
Presidente Febrabom
Julio Valencio

Breve Biografia:
Bombeiro Civil com mais de 16 anos de experiência e expertise nas áreas de prevenção, resposta a emergências e gestão de equipes, atuando de forma estratégica na proteção da vida, do patrimônio e na mitigação de riscos. Enquadrado e atuante como bombeiro Civil na Categoria 03, em regime CLT, possui sólida trajetória como gestor e coordenador de equipes de bombeiros civis, com destacada atuação em projetos sociais e na implementação de políticas públicas voltadas à segurança.
É Técnico em Segurança do Trabalho, consultor em prevenção e combate a incêndios e instrutor de brigada de incêndio, com formação e atuação em conformidade com as normas do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul. Atua, ainda, como instrutor do protocolo Stop The Bleed e como coordenador da equipe de Suporte Humanitário da Força-Tarefa Febrabom, integrando ações de resposta a emergências e apoio humanitário.
Possui registro profissional como jornalista junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e é acadêmico do ensino superior em Gestão e Marketing, bem como acadêmico em Eletrotécnica, unindo conhecimentos técnicos, comunicacionais e estratégicos à sua atuação profissional. É autor do livro Rapid Intervention Team: Salvando Quem Nos Salva, obra técnica voltada à resposta a emergências e à segurança operacional.
Atualmente, exerce o cargo de Presidente da Febrabom – Força Brasileira em Defesa da Profissão Bombeiro Civil e atua como Diretor Estadual da Associação Brasileira de Bombeiros Civis (ABBC), entidade com presença em mais de dez estados brasileiros. Destaca-se como articulador institucional no desenvolvimento e na implementação de iniciativas legislativas relacionadas à regulamentação e à obrigatoriedade da atuação do bombeiro civil em ambientes públicos e privados, com ênfase no município de Porto Alegre (RS).
Participou ativamente da articulação e do desenvolvimento de importantes marcos legislativos, entre os quais se destacam: a instituição do Dia Estadual de Combate ao Exercício Ilegal da Profissão de Bombeiro Civil no Rio Grande do Sul; leis municipais que tornaram obrigatória a presença de bombeiros civis em ambientes públicos e privados nos municípios de Porto Alegre e Viamão; a regulamentação das escolas de formação de bombeiros civis no âmbito da capital gaúcha; além de projetos voltados ao fortalecimento e à valorização da atuação do bombeiro civil em diversas regiões do estado.
Atua, ainda, como coordenador de projetos institucionais com foco no desenvolvimento social, na promoção da cidadania e no atendimento a comunidades em situação de vulnerabilidade social no estado do Rio Grande do Sul. Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade, recebeu homenagens de instituições públicas e privadas, incluindo as Câmaras Municipais de Porto Alegre e Viamão, a Frente Parlamentar Federal do Bombeiro Civil, o Hospital Divina Providência e a Liga da Defesa Nacional, entidade centenária de relevância nacional.