

Bombeiro Civil 17 Anos da Profissão: Quando o Maior Inimigo do Bombeiro Civil é Ele Próprio

Desorganização interna, disputas de ego e a mercantilização da formação comprometem o reconhecimento social e fragilizam uma categoria ainda em afirmação.
Ao completar 17 anos de trajetória, a profissão de Bombeiro Civil segue em processo de consolidação e busca por reconhecimento perante a sociedade. No entanto, ao longo desse período, um dos maiores obstáculos enfrentados pela categoria não se originou de fatores externos, mas de dentro dela própria.
A ausência de senso coletivo elemento essencial para a organização de qualquer classe profissional tem contribuído para o enfraquecimento institucional. Soma-se a isso a falta de consciência sobre a importância da organização profissional como instrumento legítimo de valorização técnica, fortalecimento da representatividade e reconhecimento social.
Embora a categoria tenha crescido de forma significativa, esse avanço ocorreu, em muitos casos, de maneira desordenada. O crescimento sem critérios claros resultou em profissionais desinformados, mal preparados e fragmentados em grupos, clãs ou tribos, frequentemente capitaneados por indivíduos despreparados, oriundos de outras atividades laborais e sem vivência real na função.
Ao vestirem o uniforme, parte desses agentes passa a atuar guiada pelo ego excessivo e por discursos inflamados, sustentados mais por opiniões do que por experiência prática. Esse comportamento gera divisões internas, deteriora relações institucionais, assassina reputações de profissionais e entidades sérias e reflete diretamente no desgaste da imagem dos verdadeiros Bombeiros Civis.
Sem generalizar, é inegável que a chamada indústria da formação muitas vezes orientada exclusivamente pelo lucro, sem critérios técnicos, sem estrutura adequada e sem compromisso com a qualidade também contribui para a desorganização da classe. Cursos oferecidos de forma irresponsável alimentam a entrada de profissionais despreparados no mercado, aprofundando a fragmentação e enfraquecendo a credibilidade da profissão.
Nesse contexto, a missão social do Bombeiro Civil, que deveria ser o eixo central da atividade, acaba relegada a segundo plano. A categoria, ao se dividir e se desorganizar, passa a ser o seu próprio maior inimigo.
O futuro, no entanto, exige uma mudança de postura. O fortalecimento da profissão passa pela valorização da formação séria, pelo combate à mercantilização sem critérios, pela união da categoria em torno de princípios éticos, técnicos e institucionais e pelo resgate do espírito coletivo. Somente com organização, consciência profissional e foco no interesse social será possível corrigir distorções, fortalecer a imagem do Bombeiro Civil e construir uma profissão mais respeitada, sólida e alinhada com sua verdadeira missão.
Coluna Vozes em Destaque
Texto: Júlio Valêncio.
Presidente Feabrabom
Julio Valencio

Breve Biografia:
Bombeiro Civil com mais de 16 anos de experiência e expertise nas áreas de prevenção, resposta a emergências e gestão de equipes, atuando de forma estratégica na proteção da vida, do patrimônio e na mitigação de riscos. Enquadrado e atuante como bombeiro Civil na Categoria 03, em regime CLT, possui sólida trajetória como gestor e coordenador de equipes de bombeiros civis, com destacada atuação em projetos sociais e na implementação de políticas públicas voltadas à segurança.
É Técnico em Segurança do Trabalho, consultor em prevenção e combate a incêndios e instrutor de brigada de incêndio, com formação e atuação em conformidade com as normas do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul. Atua, ainda, como instrutor do protocolo Stop The Bleed e como coordenador da equipe de Suporte Humanitário da Força-Tarefa Febrabom, integrando ações de resposta a emergências e apoio humanitário.
Possui registro profissional como jornalista junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e é acadêmico do ensino superior em Gestão e Marketing, bem como acadêmico em Eletrotécnica, unindo conhecimentos técnicos, comunicacionais e estratégicos à sua atuação profissional. É autor do livro Rapid Intervention Team: Salvando Quem Nos Salva, obra técnica voltada à resposta a emergências e à segurança operacional.
Atualmente, exerce o cargo de Presidente da Febrabom – Força Brasileira em Defesa da Profissão Bombeiro Civil e atua como Diretor Estadual da Associação Brasileira de Bombeiros Civis (ABBC), entidade com presença em mais de dez estados brasileiros. Destaca-se como articulador institucional no desenvolvimento e na implementação de iniciativas legislativas relacionadas à regulamentação e à obrigatoriedade da atuação do bombeiro civil em ambientes públicos e privados, com ênfase no município de Porto Alegre (RS).
Participou ativamente da articulação e do desenvolvimento de importantes marcos legislativos, entre os quais se destacam: a instituição do Dia Estadual de Combate ao Exercício Ilegal da Profissão de Bombeiro Civil no Rio Grande do Sul; leis municipais que tornaram obrigatória a presença de bombeiros civis em ambientes públicos e privados nos municípios de Porto Alegre e Viamão; a regulamentação das escolas de formação de bombeiros civis no âmbito da capital gaúcha; além de projetos voltados ao fortalecimento e à valorização da atuação do bombeiro civil em diversas regiões do estado.
Atua, ainda, como coordenador de projetos institucionais com foco no desenvolvimento social, na promoção da cidadania e no atendimento a comunidades em situação de vulnerabilidade social no estado do Rio Grande do Sul. Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade, recebeu homenagens de instituições públicas e privadas, incluindo as Câmaras Municipais de Porto Alegre e Viamão, a Frente Parlamentar Federal do Bombeiro Civil, o Hospital Divina Providência e a Liga da Defesa Nacional, entidade centenária de relevância nacional.